RELACIONAMENTO ABUSIVO O Amor que sufoca e mata
Analise essa situação a seguir: Tem dias que ele é um cara incrível. Mas em outros, agressivo, te bate, te ofende, te coloca pra baixo, mas logo você esquece, pois ele se arrependeu, e te surpreendeu com bombons e um pedido de desculpas. Você aceita, pois ele se mostrou arrependido com o que fez. Você se identificou com essa situação? Esse tipo de situação é muito característico de quem vive em um relacionamento abusivo. Por isso é tão difícil identificá-lo. A primeira coisa a fazer ao se ver nessa relação abusiva é procurar ajuda e identificar como anda o estágio da relação.
O tema Relacionamento Abusivo vem ganhando cada vez mais notoriedade, mas o tema é antigo e só foi ganhando força graças a farmacêutica Maria da Penha, que lutou para que seu agressor viesse a ser condenado, e hoje luta em defesa dos direitos das mulheres. Segundo dados divulgados pelo Ministério dos Direitos Humanos ( MDH), sobre o Disque 180, do dia 1 de Janeiro de 2018 até 30 de junho de 2018, o serviço, realizou mais de 500 mil atendimentos, dos quais mais de 400 mil correspondiam a disseminação de informações, 38.681 são registros de denúncias de violência contra à mulher, 34.158 são relatos de violência. O serviço é gratuito e é oferecido pelo MDH e funciona 24 horas todos os dias, incluindo feriados e fins de semana.
Esses números mostram que além da denúncia, a procura pelo esclarecimento, a conversa com os profissionais por trás do Disque Mulher, vem aumentando e esse é o principal caminho que muitas mulheres estão percorrendo, de forma segura e anônima, para tirarem suas dúvidas e denunciarem agressão em seus relacionamentos.
Relacionamento abusivo se dá de várias maneiras, enxergamos na maior parte do tempo como apenas agressão física, porque é mais evidente, mas ele acontece de várias maneiras como violência verbal, que é mais comum e velada. Normalmente, e na maioria dos casos é o homem que é violento com a mulher. Segundo a psicóloga, Lidiane Salcedo, o homem se mostra cuidadoso, apaixonado, mas dentro do lar onde, só vive os dois, as agressões e a ameaça são mais frequentes e ele se mostra totalmente diferente do que é na frente dos parentes e amigos.
TRAUMAS E SEQUELAS:
Quando a mulher decide sair da relação é muito difícil ela querer se relacionar de novo com outra pessoa, os traumas deixado por esse tipo de relacionamento, pode durar anos e dificilmente a mulher terá a mesma confiança que tinha antes. Quando a vítima não consegue sair, os traumas são ainda mais piores, podendo desenvolver ansiedade e depressão, muitas vezes. Esse tipo de relacionamento afeta várias esferas na vida da mulher, como o trabalho, relacionamento familiar, que muitas vezes, o agressor acaba impedindo a vítima de se relacionar com a própria família.
Quando a mulher fica presa a esse poder e sem poder tomar uma atitude para mudar, como ir ver a família, trabalhar, falar com outras pessoas sobre a situação, ela acaba se calando, e guardando pra si todo o sofrimento e isso faz mal, causando transtornos psicológicos, como a depressão e até mesmo uma crise de ansiedade terrível, como sinaliza a psicóloga Lidiane. Em outros casos, a sensação de insegurança e mal estar são mais frequentes.
“ NESSE DIA ERA O MEU CHÁ DE BEBÊ, E ELE APARECEU LÁ COMO SE NADA TIVESSE ACONTECIDO. EU NÃO FALEI NADA,PORQUE EU TINHA MUITO MEDO DE CONTAR E DEPOIS CONTINUAR COM ELE,PORQUE EU NÃO QUERIA CRIAR A MINHA FILHA LONGE DELE”, DANÚBIA.
Muitas vezes a mulher fica presa ao relacionamento abusivo por medo de ficar sozinha, ou da revolta do parceiro, como é o caso da Danubia, que não queria criar a filha dos dois sozinha.
“ EU PENSEI QUE ELE IA MUDAR, QUE AS REAÇÕES DELE MUDARIAM POR ELE NÃO SABER LIDAR COM ESSA NOVA VIDA, DE PAI E HOMEM CASADO. POIS TUDO FOI MUITO RÁPIDO, O RELACIONAMENTO, O CASAMENTO E A GRAVIDEZ E ISSO MEXEU COM ELE, ELE NÃO QUERIA ACEITAR QUE ELE ESTAVA COM ESSA RESPONSABILIDADE TODA, POIS ANTES ELE ERA LIVRE E SAIA COM OS AMIGOS, O DINHEIRO ERA SÓ PRA ELE, NÃO TINHA QUE SE PREOCUPAR COM NADA, E AGORA ELE ESTAVA COM UMA FAMÍLIA QUE PRECISAVA DELE.”
Assim como Danubia, muitas outras mulheres sofrem por dia em seus lares. A lei protege mas também silencia a vítima muitas vezes. E as crianças que nascem nesse lares, assistem de perto à toda violência desde cedo, e isso acaba influenciando no seu modo de ser e de agir no futuro.
“ ELE ME COLOCOU PARA DORMIR DO LADO DE FORA DE CASA, ME AMEAÇOU COM UMA FACA. TUDO ISSO COM A MINHA FILHA DENTRO DE CASA DORMINDO E EU TINHA ACABADO DE CHEGAR DO TRABALHO" - DANUBIA ÁVILA, SOBRE AS AGRESSÕES ACONTECERAM NA FRENTE DA FILHA DO CASAL.
NÚMERO DA VIOLÊNCIA
A cada dia cerca de 13 mulheres são assassinadas no Brasil. Segundo o Mapa da Violência de 2015, dos 4.762 assassinatos de mulheres registrados em 2013 no Brasil, 50,3% foram cometidos por familiares, sendo que em 33,2% destes casos, o crime foi praticado pelo parceiro ou ex. No gráfico a seguir, números de registro de denúncias para o 180, em 2017:
Entre as principais denúncias registradas pelo 180, mais de 40% é em relação a violência física e 20% psicológica. Entre as de menor frequência estavam a violência sexual, Cárcere privado, tentativa de feminicidio e a violência moral.
FORMAS DE VIOLÊNCIA CONTRA À MULHER
Não é só entendido como violência contra à mulher a agressão física, existem muitas outras formas de violência, como as a seguir :
Violência contra a mulher - É qualquer conduta-ação ou omissão - de discriminação, agressão ou coerção, ocasionada pelo simples fato de a vítima ser mulher e que cause dano, morte, constrangimento, limitação, sofrimento físico, sexual, moral, psicológico, social, político ou econômico ou perda patrimonial. Essa violência pode acontecer tanto em espaços públicos como privados.
Violência de gênero - violência sofrida pelo fato de se ser mulher, sem distinção de raça, classe social, religião, idade ou qualquer outra condição, produto de um sistema social que subordina o sexo feminino.
Violência doméstica - quando ocorre em casa, no ambiente doméstico, ou em uma relação de familiaridade, afetividade ou coabitação.
Violência familiar - violência que acontece dentro da família, ou seja, nas relações entre os membros da comunidade familiar, formada por vínculos de parentesco natural (pai, mãe, filha etc.) ou civil (marido, sogra, padrasto ou outros), por afinidade (por exemplo, o primo ou tio do marido) ou afetividade (amigo ou amiga que more na mesma casa).
Violência física - ação ou omissão que coloque em risco ou cause dano à integridade física de uma pessoa.
Violência institucional - tipo de violência motivada por desigualdades (de gênero, étnico-raciais, econômicas etc.) predominantes em diferentes sociedades. Essas desigualdades se formalizam e institucionalizam nas diferentes organizações privadas e aparelhos estatais, como também nos diferentes grupos que constituem essas sociedades.
Violência intrafamiliar/violência doméstica - acontece dentro de casa ou unidade doméstica e geralmente é praticada por um membro da família que viva com a vítima. As agressões domésticas incluem: abuso físico, sexual e psicológico, a negligência e o abandono.
Violência moral - ação destinada a caluniar, difamar ou injuriar a honra ou a reputação da mulher.
Violência patrimonial - ato de violência que implique dano, perda, subtração, destruição ou retenção de objetos, documentos pessoais, bens e valores.
Violência psicológica - ação ou omissão destinada a degradar ou controlar as ações, comportamentos, crenças e decisões de outra pessoa por meio de intimidação, manipulação, ameaça direta ou indireta, humilhação, isolamento ou qualquer outra conduta que implique prejuízo à saúde psicológica, à autodeterminação ou ao desenvolvimento pessoal.
Violência sexual - ação que obriga uma pessoa a manter contato sexual, físico ou verbal, ou a participar de outras relações sexuais com uso da força, intimidação, coerção, chantagem, suborno, manipulação, ameaça ou qualquer outro mecanismo que anule ou limite a vontade pessoal. Considera-se como violência sexual também o fato de o agressor obrigar a vítima a realizar alguns desses atos com terceiros.
Footnotes: MDH, VIOLÊNCIA CONTRA à MULHER,



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